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Quando nasci, meus
pais eram criadores de canários "Roler", das
mais lindas e variadas cores. Minha mãe contava que, quando
eu chorava, me colocava num cercadinho, no meio de um
salão onde ficavam 150 pássaros, piando e cantando ao
mesmo tempo. Ali, eu me distraía e ficava, se preciso
fosse, o dia inteiro sem dar trabalho.
Quando completei 11 anos, lembro-me que meu pai me presenteou
com um "coleirinho". Fui crescendo e me apaixonando
pelos pássaros. Hoje, aos 52 anos de idade, nunca deixei
de criá-los. Diferencio-me da maioria dos passarinheiros
por gostar de todas as espécies, desde a mais valorizada
até aquela considerada sem nenhum valor. Por isso, nosso
criadouro possui licença com a maior variedade de passeriformes
do Brasil. Os amigos dizem parecer a "ARCA DE NOÉ",
onde um casal de cada espécie existia. Uma vez no IBAMA
do Rio de Janeiro, perguntaram-me porque essa variedade
tão grande. Expliquei dois bons motivos: o primeiro, por
saber que uma espécie só está livre da extinção, quando
a reproduzimos em gaiolas ou viveiros; o segundo, por
considerar a criação doméstica a maior iniciativa contra
o tráfico de pássaros e o comércio ilegal nas feiras livres.
Agora, qualquer pessoa que desejar possuir em sua casa
um simples "tiziu", pode adquiri-lo com nota
fiscal e, portando seus documentos, passear com ele pelas
ruas e parques da cidade, totalmente amparado pela lei.
E, para finalizar esse histórico, afirmo que a melhor terapia
e o melhor remédio contra o estresse que vivemos no dia
a dia é vermos o nascimento de um filhote, observar o
carinho da mãe aquecendo-o e alimentando-o pela primeira
vez. É traduzir o canto alegre do pai e, entender que,
ao voar de um lado para o outro, ele está querendo anunciar
ao mundo inteiro o momento feliz que o casal está vivendo...
Já fui chamado de sonhador, mas não quero que nossos netos
possam conhecer e admirar a beleza dos pássaros que ora
existem, apenas por informações passadas por livros e
filmes. Precisamos criá-los e reproduzi-los, pois o chamado
progresso é muito cruel. Continuo acreditando que é possível
viver em perfeita harmonia com a natureza, amando-a e
exercendo a honrosa missão que, no início de tudo, Deus
nos confiou: "CUIDAR DE TUDO O QUE ELE FEZ".
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